Manter um CNPJ ativo no Brasil por 13 anos não é um teste de criatividade. É um teste de resistência (quase de teimosia).
Nossa origem sempre nos cobrou uma postura pragmática. Nascemos na mão na massa, no "chão de fábrica" do design industrial. Não começamos com rodadas de investimento ou teses de mercado impecáveis. Começamos com a urgência de profissionais que queriam fazer as coisas de um jeito diferente e precisavam fazer dar certo (só não sabiam muito bem como).
Hoje, ao olhar pelo o retrovisor, entendemos que as nossas principais habilidades não eram apenas os photoshops, 3Ds, vetores ou produtos premiados, mas as habilidades de escutar, aprender e adaptar. Sobrevivemos a tantas metarmofoses porque entendemos cedo que o design, quando bitolado só no estilo e na estética, é frágil. Ele só ganha força quando desce para a trilha da estratégia e do negócio.
A Quebra e a Caverna: O Fim da Estética Pela Estética
Os primeiros anos foram de execução brutal. Viemos da Farné Design com um bom fôlego operacional e a vontade de testar nossos próprios ideais. O batismo da Primata Criativo exigiu alinhar a visão de sete fundadores — o nosso primeiro grande exercício de CoDesign para encontrar consenso no caos.
Mas o mercado real tem pouco espaço para o romantismo. Logo no início da nossa operação independente, o fôlego financeiro acabou. Nós quebramos. Sócios saíram.
Foi o nosso atrito mais doloroso com a realidade dos negócios. Fomos cuidar das feridas na "caverna" e reconstruir a operação do zero. A lição que ficou foi definitiva: renderizar o produto perfeito ou desenhar uma interface lindíssima não sustenta uma operação se você não souber resolver os problemas estruturais de quem te contrata, muito menos se não souber desenhar um negócio que para de pé diante de adversidades e sazonalidades.

Fora que só depois de alguns perrengues é que entendemos que a dor do cliente quase nunca é a falta de uma tela bonita ou um produto com formas incríveis. A dor real está na falta de alinhamento, na dificuldade de priorizar e na ausência de visão de futuro. Entendemos que precisávamos dominar a estratégia antes de encostar no software de desenho.
Esse aprendizado rendeu muita história e compartilhamos algumas das cenas no podcast Papo Primata que gravamos contando um pouco dos 10 primeiros anos da nossa saga.
Mas uma coisa que fica e que tem se intensificado nos últimos anos é que, como não acreditamos no caminho do alto volume (e a inevitável juniorização que ela demanda), focamos cada vez mais em parceiros que complementam os nossos trabalhos. Sejam estúdios de design como a galera maravilhosa da BmaisG, Muda e Sheyar ou mesmo escritórios de desenvolvimento de software, associações e consultorias de negócios, essas colaborações mais abertas aceleraram nosso aprendizado, nos conectaram com projetos incríveis e nos deram fôlego para entendermos melhor como estruturar o nosso próprio modelo de negócio, que segue cheio de parcerias incríveis baseadas em respeito e troca real.
Metadesign:
O Antídoto Contra os Dogmas
Com o tempo, clientes começaram a nos chamar para problemas cada vez mais nebulosos. Tentamos aplicar os frameworks famosos do Vale do Silício, mas no contexto brasileiro eles inevitavelmente engasgam. Fora que na nossa filosofia de trabalho esses modelos sempre pecam em um ou outro ponto que consideramos importante demais para sacrificar. Somado a isso temos a mentalidade nacional de resultados rápidos e os orçamentos enxutos que não aceitam meses de pesquisa isolada com validações que ficam dependendo do gosto pessoal de um indivíduo - ou a habilidade de fazer um pitch de vendas do projeto do cliente para o próprio cliente (isso é tão absurdo e ainda tão comum… vai entender).

Então, se o mercado está cheio de Deusigners que se isolam por semanas e voltam com uma "verdade absoluta" para o cliente, nós fomos para o lado oposto. Mergulhamos no Metadesign e Design Colaborativo — o design do nosso próprio jeito de fazer as coisas, sempre integrando o máximo possível de pessoas ao processo. Dissecamos o porquê de cada ferramenta funcionar ou falhar e criamos o Pique Primata, nosso protocolo modular. Trocamos os dogmas pelo método científico: desenhar hipóteses, construir protótipos baratos (nossos famosos "toscótipos") e validar em ritmo acelerado.
E a atual construção da Associação Internacional de Metadesign, liderada pelo Caio Vassão e com participação de tantas pessoas fora da curva, tem sido oxigênio e combustível para continuarmos nessa filosofia percebendo que é questão de tempo de que o tema do MetaDesign, Design Science e Design Participativo ganhem a visibilidade de mercado que realmente merecem.
A Maturidade:
Facilitação e a Sidequest da Comunidade
Quando a pandemia travou o mundo, o que era caos para o mercado se tornou o nosso terreno de expansão. Já trabalhávamos de forma remota e colaborativa, usando técnicas de brainwriting para garantir, por exemplo, que a voz do estagiário tivesse presença ao lado do senior ou do líder. Nesse cenário que foi tão desafiador, atuamos como guias para clientes que ainda não estavam familiarizados com a colaboração digital.

Essa maturação, acelerada nos últimos anos, nos permitiu organizar nossa atuação em três frentes claras, após anos de testes e escuta ativa de feedbacks:
- Facilitação Estratégica: Transformamos discussões travadas em decisões. O que era uma atividade agregada virou um catálogo de produtos que permeia tudo o que fazemos.
- Laboratório de Produtos: Onde o design físico e digital se encontram com a validação rápida.
- Trilha de Ambidestria: Onde abraçamos a complexidade de quem precisa otimizar o presente enquanto desenha o futuro.
Tudo isso converge para o que finalmente assimilamos de vez em 2025: nossa essência é a Ciência Criativa (Design Science). Usamos a criatividade como método rigoroso para resolver problemas complexos.
O Design Como Arquitetura de Soluções
Vimos essa Ciência Criativa ganhar vida ao desafiarmos o conservadorismo do setor jurídico com a Brasil Salomão. Juntos aos nossos amigos e parceiros da Sheyar, participamos do grande programa de intraempreendedorismo e formação de lideranças do futuro para ajudar advogados extremamente competentes a produtizarem seus serviços advocatícios e a criarem métodos e ferramentas próprias para a realidade que eles experienciam. Um projeto desse tamanho não passa desapercebido e, em 2025, eles ganharam o Prêmio Análise DNA+Fenalaw do mesmo ano, provando para um dos setores mais tradicionais e robustos do país como o design pode ser uma ferramenta de negócio poderosa, mesmo no cenário jurídico.

Essa mesma capacidade de organizar o invisível nos levou para dentro das fábricas da Klabin, onde ajudamos a desenhar fluxos e interfaces de digitalização de processos, alinhamos times em temas complexos, executamos projetos de gestão de conhecimento, além de tantas oficinas de alinhamento e colaboração. Saltamos do chão de fábrica para as mesas de alta decisão da Zurich e da Casa dos Ventos, facilitando dinâmicas de Foresight que transformaram incertezas energéticas e climáticas em mapas de decisão claros para 2040.
O nossa trilha também passou pela gestão pública com a URBIS, projetando o impacto de intervenções urbanas na vida de milhões de paulistanos. E, para provar que a inovação também deve ser lúdica, materializamos o intangível no Let's Fly Lab, onde o desafio de encantar resultou na inusitada e cativante Comida de Dragão. São esses contrastes que mostram que a ambidestria não é apenas para grandes corporações, mas para qualquer um disposto a experimentar futuros.
A Tribo Hoje:
O Valor dos Generalistas
Uma empresa de 13 anos é um organismo vivo. As pessoas que constroem a base cumprem seus ciclos e deixam legados. Em meados de 2025, vivemos uma transição importante. Ricardo Schirmer, um dos sócios fundadores, encerrou seu ciclo ativo na sociedade. Allan Yuske segue focado em sua operação estratégica na Toyota Brasil. Hoje, a linha de frente da Primata Criativo é conduzida por Victor Vida e Rafael Berloffa.

Acreditamos no equilíbrio entre Desfrutar (a excelência operacional do hoje) e Desbravar (a exploração inquieta do amanhã). Valorizamos o perfil generalista: profissionais que sabem navegar entre a ciência fria dos dados e a sensibilidade do comportamento humano.
E é curioso como as coisas vão se desenrolado. Essa nossa habilidade e foco em ferramentas de colaboração digital - principalmente o Miro - resultou em um convite para o Victor e Rafa se tornaram embaixadores oficiais da Miro Community, organizando eventos que conectam entusiastas e curiosos no tema da colaboração virtual. Logo no segundo semestre do ano passado, levamos essa energia para o Hacktown, organizando um Happy Hour no maior evento de inovação do país. Para nós, organizar esses MiroMeetups — sejam online ou presenciais — é uma espécie de "Sidequest" enriquecedora. Nem faz parte do nosso business em si, mas é bacana para nos conectarmos à comunidade Miro, pessoas interessadas e fazer uma bagunça aqui e ali de vez em quando.
Um Convite Primal
A estética e o polimento técnico só geram valor real quando a estratégia de negócio e a ética estão bem resolvidas na base.
Se você lidera uma empresa e sente que suas reuniões andam em círculos, ou que o seu lançamento de produto está desconectado da realidade, pare de tentar resolver o problema com o mesmo modelo mental que o criou. Traga as pessoas certas para a mesa. Crie um ambiente seguro para exploração de ideias. Não sabe como? A gente pode facilitar para você.

E se você é um talento ou um parceiro potencial, cansado de estruturas engessadas onde o ego silencia a criatividade coletiva, se liga no nosso ecossistema. Operar como um Primata significa recusar o conformismo e ter a coragem de testar hipóteses.
Nós somos a Primata Criativo e esses são nossos 20 centavos de como foi nossa jornada nesses 13 anos de CNPJ aberto :)

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