O programa iH2 Brasil foi uma iniciativa pioneira para impulsionar a cadeia do hidrogênio verde no país, unindo o fomento alemão através da GIZ e da AHK com o Ministério de Minas e Energia. Nossa atuação foi integrada a um ecossistema de especialistas: enquanto a Pieracciani coordenava a gestão macro e realizava diagnósticos iniciais com as startups e a Lumni mergulhava na inteligência de patentes, a Primata Criativo assumiu a linha de frente da estratégia de negócio e facilitação metodológica. O desafio era claro: startups de base tecnológica (Deep Tech) possuem ciclos de maturação longos e complexos, e precisavam transitar da bancada do laboratório para a mesa do investidor.
Trabalhamos em três edições, atendendo grupos de oito startups por ciclo. Iniciamos com diagnósticos profundos que separavam a prontidão tecnológica da maturidade de mercado. Na primeira edição, operamos com quatro trilhas distintas — de validação tecnológica a branding. Contudo, percebemos que o dinamismo do setor exigia o que chamamos de responsividade metodológica. Nas edições seguintes, evoluímos para uma trilha única e adaptável, onde ferramentas específicas eram acionadas conforme a dor latente de cada solução, fosse ela voltada ao agro (amônia), armazenamento ou mobilidade pesada.
Um dos pilares dessa jornada foi a ferramenta "Advogado do Diabo", uma reconstrução pragmática da análise SWOT. Com ela, provocamos os empreendedores a saírem da paixão pela própria invenção para enxergarem vulnerabilidades críticas e "quebradores" de mercado. Essa reflexão alimentava o "Toscótipo", nossa abordagem de MVP que prioriza a validação de hipóteses com o menor custo possível. Em vez de construir reatores de milhões de reais para testar uma ideia, ajudamos as startups a estruturarem provas de conceito e materiais de venda que validassem o interesse comercial antes da escala física.
O encerramento de cada ciclo contou com a estruturação de um roadmap de até 20 anos, respeitando a perenidade necessária no setor de energia. A participação da Carvalho e Russi Advogados garantiu o respaldo jurídico necessário para essas visões de futuro, enquanto os Demo Days realizados no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) serviram como o grande palco de validação final. Ao final do programa, as 24 startups não saíram apenas com tecnologias refinadas, mas com um plano de ataque claro para ocupar seu espaço na nova matriz energética global.