O desafio proposto pela Let's Fly envolvia uma operação complexa de biotecnologia: a produção de Larvas da Mosca do Soldado Negro (BSFL) para alimentação animal. Com um aporte recente e o plano de construir a própria fábrica, a startup precisava materializar seu branding e validar o design de seus produtos antes de escalar a operação. O ponto de tensão era claro: como criar embalagens que garantissem a sobrevivência das larvas, evitassem fugas e ainda fossem visualmente atraentes para um mercado de nicho?
Iniciamos o trabalho com uma imersão profunda através de workshops colaborativos. Utilizamos Proto-Personas para ancorar as decisões de design em necessidades reais, evitando suposições vazias. Esse terreno preparado nos permitiu entender que o design seria uma ferramenta logística, além de estética. Precisávamos considerar o tempo de armazenamento, a facilidade de dosagem no uso cotidiano e a resistência do material para conter organismos vivos altamente ativos.
Para dar fôlego ao projeto, aplicamos o Pique Primata, nossa adaptação do Design Sprint para contextos de alta complexidade. Em um intervalo curto alguns dias, geramos 24 conceitos únicos de produtos. Desse volume de ideias, filtramos e construímos 9 protótipos de alta fidelidade. Essa etapa foi crucial para testar funcionalidades de monitoramento e implementação, garantindo que o produto final fosse, ao mesmo tempo, sofisticado e acessível para o consumidor.
A validação foi a prova de fogo. Realizamos entrevistas qualitativas com especialistas em biologia e potenciais consumidores, coletando mais de 8.800 insights. Essa massa de dados foi refinada para orientar os próximos passos da Let's Fly, entregando não apenas um desenho de embalagem, mas um roteiro estratégico de curto, médio e longo prazo. Trabalhamos em conjunto com a Sheyar para a produção de vídeos dos protótipos, garantindo que a visão do produto fosse tangível para investidores e parceiros.
O resultado foi um processo de construção dinâmico que energizou o time da Let's Fly. Conseguimos equilibrar a necessidade técnica de um produto biológico com a simplicidade exigida pela experiência do usuário. O projeto demonstrou que, mesmo em mercados altamente técnicos, o design centrado no humano é o que define o sucesso da implementação e a aceitação de uma inovação arrojada no ecossistema.