Comida de Dragão

Let's Fly Foods
2024
A humanidade ignora que o desperdício é um erro de design. ALets Fly trouxe para nós um Lab que virou Dragão e hoje voa. Entenda como a biotecnologia da BSF propõe um novo ciclo de consumo no universo pet.
Consultoria estratégica da Primata Criativo para Lets Fly. Foco em design do produto, UX e desenvolvimento de embalagens sustentáveis baseadas em biotecnologia de insetos (BSF). Economia circular e conversão de resíduos orgânicos.

Mais de 2 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas no Brasil todos os dias. Enquanto isso, o mercado de petiscos para animais de estimação cresce em ritmo acelerado, mas operando sob uma lógica linear insustentável: uma forte dependência de commodities como soja, milho e farinha de peixe e outros insumos agrícolas que demandam volumes colossais de água, terra e energia em escala industrial.

E se a resposta estivesse numa solução biotecnológica aperfeiçoada pela natureza ao longo de milhões de anos?

É isso que a Let's Fly propõe como solução: a larva da mosca soldado negra (Black Soldier Fly - BSF).

Essa capsula viva, cheia de nutrientes, é capaz de converter 1 tonelada de resíduo orgânico urbano em proteína funcional purificada em apenas 10 dias. Além do altíssimo valor biológico para cães e gatos, concentrando peptídeos antimicrobianos e ácidos graxos benéficos, o processo gera o frass — um biofertilizante natural rico em nitrogênio e carbono — como subproduto da criação.

A Lets Fly dominava a ciência e a operação. Nós fomos chamados para construir a estratégia, a marca e a experiência que levariam essa revolução ao mercado.

O Laboratório e a Rua

Antes mesmo de a Comida de Dragão se consolidar como um projeto em 2024, fizemos um grande laboratório de experimentação de portfólio. Testamos três mercados distintos, mapeando a fundo os perfis de público e diferentes abordagens de argumentação. Identificamos que tutores em busca de alimentação natural e regenerativa tinham o maior índice de aderência. O nome surgiu organicamente nesses testes, como uma das propostas em inglês: Food of The Dragon.

O pessoal da Sheyar, nossos parceiros em vários projetos, percebeu que esse nome temporário usado nos protótipos poderia ir muito além. Havia personalidade ali, além de uma capacidade de provocar e abrir espaço para uma linguagem inédita na categoria de pet food.

Assumir a estética de inseto gerou muito debate interno. De início, sabíamos que formatos alternativos como biscoitos seriam inviáveis no curto prazo, então a discussão girava em torno de como a larva seria apresentada. Deveríamos esconder ou mostrar a larva logo de cara? Escolhemos assumir o estranhamento e usá-lo a favor da marca, ao invés de tentar uma falsa normalidade.

Com da intenção de provocar e impactar, fomos buscar referências na contracultura urbana que sabe lidar com o desconforto sem pedir desculpas. Mergulhamos na arte do lambe-lambe, no grafite de rua, no movimento punk e no cinema clássico de monstros, pegando carona na origem do Godzilla. Criamos uma identidade de forte impacto visual que trocou o verde pastel manjado da categoria por vibrações óticas intensas, com verdes elétricos que acendem na gôndola e tons quentes que remetem à intensidade da terra e do fogo. O logo traz a larva integrada de forma lúdica, florescendo como uma borboleta e expandindo-se como o próprio olho do dragão.

Do Esboço ao Pouch: O Processo de Design das Embalagens

Para chegar na identidade tridimensional do produto, o processo de design exigiu uma imersão profunda em desenho e volumetria. Desenvolvemos dezenas de doodles e esboços em papel para testar o formato do personagem e a estrutura das embalagens.

Criamos toscótipos — protótipos físicos rápidos — ensaiando formatos geométricos complexos, caixas sextavadas e estruturas poliédricas inspiradas em domos geodésicos. Embora o formato final de mercado tenha se consolidado no pouch pela sua praticidade e conservação, esses estudos prévios foram fundamentais para criar uma volumetria proprietária e garantir que o pouch final ganhasse orelhas e contornos que remetem à silhueta de um dragão de verdade na gôndola.

Cores Sazonais e os Dracões

O estilo do projeto mescla o rústico das texturas de rua ao acabamento vibrante do design digital. Um dos grandes diferenciais dessa identidade é a sua paleta de cores dinâmica, que se transforma para acompanhar as sazonalidades do ano. Criamos mandalas estruturadas que alternam tons e intensidades de acordo com a estação: a vibração floral da Primavera, o contraste elétrico do Verão, o calor terroso do Outono e a sobriedade fria do Inverno.

Para equilibrar o peso ativista da marca e aproximá-la do ambiente familiar dos pets, desenhamos uma série de stickers lúdicos. Apelidados de Dracões, esses filhotes de dragão misturam traços de répteis com a expressão acolhedora de cachorros de rua. Eles quebram a agressividade do tema, geram identificação imediata e trazem leveza para os pontos de contato da marca.

Mitologia Brasileira e Equilíbrio

Buscamos um contraponto para que o peso do punk não fechasse portas, equilibrando a crueza das ruas com o molejo brasileiro. Desenvolvemos o conceito do dragão carioca. Esse personagem não habita a fantasia medieval europeia. Ele frequenta a praia, tem a cascadura da resiliência, mas é amigável, pacífico e parceiro do cotidiano.

Nossos primeiros esboços ajudaram a calibrar essa expressão corporal, humanizando o réptil sem esvaziar sua força ativista. Essa escolha de posicionamento transformou a repulsa em uma curiosidade magnética, convidando o consumidor a fazer parte da Tribo do Dragão — uma comunidade unida pela coragem de mudar o mundo com competência.

Jornada de Conversão e Design de Serviços

Mudar um hábito cultural consolidado exige um design de serviço impecável. Desenhamos uma jornada inédita de conversão estruturada em três etapas tangíveis, focada em mitigar a desconfiança por meio da experiência física.

O processo começa no asfalto, na orla e no cotidiano. Em ações de rua, feiras de adoção e clínicas parceiras, convidamos os tutores a oferecerem a larva diretamente ao pet. Ao ver o animal devorar o petisco com entusiasmo, o tutor percebe instantaneamente que o preconceito era dele, não do bicho.

Embedded widget

O Ritual de Degustação em um Kit

Validada a aceitação, o cliente avança para o Kit Degustação. Projetamos uma embalagem em formato de tubete que assume o conceito de resíduo zero. Após o consumo das larvas, o tubete vira um vaso. O kit traz terra, sementes de girassol e o adubo frass da Lets Fly. O próprio manifesto é impresso em papel semente. Quem compra planta uma nova vida na prática e vivencia o ciclo da regeneração.

Criar um Hábito através da Recorrência Assinatura

A recuperação do planeta depende de constância. O Kit Assinatura foi desenhado para consolidar o hábito sem torná-lo monótono.

Na primeira entrega, o consumidor recebe um unboxing robusto contendo um frasco de vidro durável — que funciona como o pote permanente de larvas na despensa — e uma petisqueira compacta para levar nos passeios diários. Nas recorrências programadas, focamos na máxima eficiência logística e ambiental. O refil é despachado em sacos de papel cr, emulando a simplicidade prática de um delivery de comida urbana. Essa abordagem enxuta eliminou o uso de plásticos complexos e simplificou a distribuição local por entregadores comuns.

O Voô do Dragão

Mais de um ano após o lançamento oficial, a Comida de Dragão deixou de ser uma aposta conceitual para se tornar uma realidade em crescimento constante. A marca virou ponto de atração em grandes feiras do setor pet, eventos de inovação e festivais de sustentabilidade, atraindo entusiastas e curiosos para ver os pets experimentando os snacks.
O que começou como um nome temporário em um lab, virou uma marca real, com comunidade fiel e um modelo circular que trata o descarte humano como matéria-prima nobre e respeitada.

Mais de 2 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas no Brasil todos os dias. Enquanto isso, o mercado de petiscos para animais de estimação cresce em ritmo acelerado, mas operando sob uma lógica linear insustentável: uma forte dependência de commodities como soja, milho e farinha de peixe e outros insumos agrícolas que demandam volumes colossais de água, terra e energia em escala industrial.

E se a resposta estivesse numa solução biotecnológica aperfeiçoada pela natureza ao longo de milhões de anos?

É isso que a Let's Fly propõe como solução: a larva da mosca soldado negra (Black Soldier Fly - BSF).

Essa capsula viva, cheia de nutrientes, é capaz de converter 1 tonelada de resíduo orgânico urbano em proteína funcional purificada em apenas 10 dias. Além do altíssimo valor biológico para cães e gatos, concentrando peptídeos antimicrobianos e ácidos graxos benéficos, o processo gera o frass — um biofertilizante natural rico em nitrogênio e carbono — como subproduto da criação.

A Lets Fly dominava a ciência e a operação. Nós fomos chamados para construir a estratégia, a marca e a experiência que levariam essa revolução ao mercado.

O Laboratório e a Rua

Antes mesmo de a Comida de Dragão se consolidar como um projeto em 2024, fizemos um grande laboratório de experimentação de portfólio. Testamos três mercados distintos, mapeando a fundo os perfis de público e diferentes abordagens de argumentação. Identificamos que tutores em busca de alimentação natural e regenerativa tinham o maior índice de aderência. O nome surgiu organicamente nesses testes, como uma das propostas em inglês: Food of The Dragon.

O pessoal da Sheyar, nossos parceiros em vários projetos, percebeu que esse nome temporário usado nos protótipos poderia ir muito além. Havia personalidade ali, além de uma capacidade de provocar e abrir espaço para uma linguagem inédita na categoria de pet food.

Assumir a estética de inseto gerou muito debate interno. De início, sabíamos que formatos alternativos como biscoitos seriam inviáveis no curto prazo, então a discussão girava em torno de como a larva seria apresentada. Deveríamos esconder ou mostrar a larva logo de cara? Escolhemos assumir o estranhamento e usá-lo a favor da marca, ao invés de tentar uma falsa normalidade.

Com da intenção de provocar e impactar, fomos buscar referências na contracultura urbana que sabe lidar com o desconforto sem pedir desculpas. Mergulhamos na arte do lambe-lambe, no grafite de rua, no movimento punk e no cinema clássico de monstros, pegando carona na origem do Godzilla. Criamos uma identidade de forte impacto visual que trocou o verde pastel manjado da categoria por vibrações óticas intensas, com verdes elétricos que acendem na gôndola e tons quentes que remetem à intensidade da terra e do fogo. O logo traz a larva integrada de forma lúdica, florescendo como uma borboleta e expandindo-se como o próprio olho do dragão.

Do Esboço ao Pouch: O Processo de Design das Embalagens

Para chegar na identidade tridimensional do produto, o processo de design exigiu uma imersão profunda em desenho e volumetria. Desenvolvemos dezenas de doodles e esboços em papel para testar o formato do personagem e a estrutura das embalagens.

Criamos toscótipos — protótipos físicos rápidos — ensaiando formatos geométricos complexos, caixas sextavadas e estruturas poliédricas inspiradas em domos geodésicos. Embora o formato final de mercado tenha se consolidado no pouch pela sua praticidade e conservação, esses estudos prévios foram fundamentais para criar uma volumetria proprietária e garantir que o pouch final ganhasse orelhas e contornos que remetem à silhueta de um dragão de verdade na gôndola.

Cores Sazonais e os Dracões

O estilo do projeto mescla o rústico das texturas de rua ao acabamento vibrante do design digital. Um dos grandes diferenciais dessa identidade é a sua paleta de cores dinâmica, que se transforma para acompanhar as sazonalidades do ano. Criamos mandalas estruturadas que alternam tons e intensidades de acordo com a estação: a vibração floral da Primavera, o contraste elétrico do Verão, o calor terroso do Outono e a sobriedade fria do Inverno.

Para equilibrar o peso ativista da marca e aproximá-la do ambiente familiar dos pets, desenhamos uma série de stickers lúdicos. Apelidados de Dracões, esses filhotes de dragão misturam traços de répteis com a expressão acolhedora de cachorros de rua. Eles quebram a agressividade do tema, geram identificação imediata e trazem leveza para os pontos de contato da marca.

Mitologia Brasileira e Equilíbrio

Buscamos um contraponto para que o peso do punk não fechasse portas, equilibrando a crueza das ruas com o molejo brasileiro. Desenvolvemos o conceito do dragão carioca. Esse personagem não habita a fantasia medieval europeia. Ele frequenta a praia, tem a cascadura da resiliência, mas é amigável, pacífico e parceiro do cotidiano.

Nossos primeiros esboços ajudaram a calibrar essa expressão corporal, humanizando o réptil sem esvaziar sua força ativista. Essa escolha de posicionamento transformou a repulsa em uma curiosidade magnética, convidando o consumidor a fazer parte da Tribo do Dragão — uma comunidade unida pela coragem de mudar o mundo com competência.

Jornada de Conversão e Design de Serviços

Mudar um hábito cultural consolidado exige um design de serviço impecável. Desenhamos uma jornada inédita de conversão estruturada em três etapas tangíveis, focada em mitigar a desconfiança por meio da experiência física.

O processo começa no asfalto, na orla e no cotidiano. Em ações de rua, feiras de adoção e clínicas parceiras, convidamos os tutores a oferecerem a larva diretamente ao pet. Ao ver o animal devorar o petisco com entusiasmo, o tutor percebe instantaneamente que o preconceito era dele, não do bicho.

Embedded widget

O Ritual de Degustação em um Kit

Validada a aceitação, o cliente avança para o Kit Degustação. Projetamos uma embalagem em formato de tubete que assume o conceito de resíduo zero. Após o consumo das larvas, o tubete vira um vaso. O kit traz terra, sementes de girassol e o adubo frass da Lets Fly. O próprio manifesto é impresso em papel semente. Quem compra planta uma nova vida na prática e vivencia o ciclo da regeneração.

Criar um Hábito através da Recorrência Assinatura

A recuperação do planeta depende de constância. O Kit Assinatura foi desenhado para consolidar o hábito sem torná-lo monótono.

Na primeira entrega, o consumidor recebe um unboxing robusto contendo um frasco de vidro durável — que funciona como o pote permanente de larvas na despensa — e uma petisqueira compacta para levar nos passeios diários. Nas recorrências programadas, focamos na máxima eficiência logística e ambiental. O refil é despachado em sacos de papel cr, emulando a simplicidade prática de um delivery de comida urbana. Essa abordagem enxuta eliminou o uso de plásticos complexos e simplificou a distribuição local por entregadores comuns.

O Voô do Dragão

Mais de um ano após o lançamento oficial, a Comida de Dragão deixou de ser uma aposta conceitual para se tornar uma realidade em crescimento constante. A marca virou ponto de atração em grandes feiras do setor pet, eventos de inovação e festivais de sustentabilidade, atraindo entusiastas e curiosos para ver os pets experimentando os snacks.
O que começou como um nome temporário em um lab, virou uma marca real, com comunidade fiel e um modelo circular que trata o descarte humano como matéria-prima nobre e respeitada.