Nossos parceiros da Brave nos trouxeram um desafio de fôlego: desenhar o ambiente digital da Secretaria de Educação de Pelotas (RS). O foco era orquestrar ações contra a evasão escolar e melhorar índices de vulnerabilidade nos bairros mais sensíveis. Precisávamos facilitar o trabalho de assistentes sociais e da Secretaria, criando uma ponte digital que permitisse o acompanhamento individual e coletivo dos jovens. O fator crítico? Tínhamos apenas quatro semanas para entregar o protótipo funcional e validado.
Para dar conta do prazo, subimos o tom na imersão. Entendemos as rotinas, as reuniões e a papelada que travava o fluxo. Descobrimos que a frequência escolar não era apenas um dado pedagógico, mas o critério de permanência das famílias em programas como o Bolsa Família. O nó que precisávamos desatar era a fragmentação: informações vitais estavam espalhadas em grupos de mensagens, planilhas isoladas e documentos físicos, dificultando a visão sistêmica dos diretores e assistentes.
Nossa estratégia foi converter o fluxo de trabalho real em uma estrutura lógica de dados. Mapeamos cada funcionalidade necessária, agrupamos por contexto de uso e hierarquizamos as prioridades de cada tela. Em vez de seguir o caminho tradicional e mais lento do design, desenvolvemos um wireframe avançado que foi ajustado em tempo real com os usuários. Essa colaboração direta permitiu que ajustes de usabilidade fossem feitos antes mesmo da alta fidelidade, garantindo que a interface final respeitasse a dinâmica já existente no campo.
O resultado foi uma ferramenta robusta, capaz de monitorar a eficiência das ações em cada programa oferecido pela prefeitura. O protótipo foi validado com entusiasmo pela Comissão Organizadora e implementado com sucesso. O impacto foi além de Pelotas: o modelo despertou interesse de outros municípios, provando que, mesmo em ambientes complexos e prazos escassos, o design centrado no humano é o melhor caminho para entregar valor real à sociedade.