Entrar em um mercado saturado de produtos importados exige mais do que um desenho bonito; exige estratégia de sobrevivência e clareza de valor. O desafio com a SEMP era propor um novo liquidificador que fizesse sentido na gôndola e na casa das pessoas, mantendo um preço competitivo de produto de entrada, mas com uma entrega de percepção superior.
Para tirar o projeto do papel, aplicamos o método Pique Primata, trazendo para a mesma mesa os times de marketing, atendimento ao cliente, vendas, vendas e engenharia. A ideia era quebrar os silos: em vez de o design criar algo e "jogar por cima do muro" para a engenharia resolver, construímos a solução juntos desde o primeiro dia. Fizemos um mapeamento profundo do ecossistema de competidores e identificamos atributos onde poderíamos ganhar terreno através da usabilidade e da estética.
Durante a imersão, o grupo todo colocou a mão na massa para desenhar funcionalidades. Saímos desse processo com dezenas de ideias que a Primata refinou em sete conceitos distintos. Após a deliberação, dois caminhos foram selecionados para o refinamento técnico e visual (batizados internamente de Janis Joplin e Norah Jones). Em menos de um mês, já tínhamos modelos 3D validados e comparados visualmente com os players do mercado para garantir que nosso design teria o fôlego necessário para se destacar.
O projeto trouxe soluções inteligentes que agregaram valor sem inflar o custo de produção. Uma das sacadas foi o posicionamento da marca no centro do botão giratório, inspirada em volantes de carros, criando um ponto de contato direto e tátil com o usuário. Criamos também um indicador de potência mecânico que simulava uma barra de carregamento (loading) conforme o botão girava, dando um ar tecnológico ao produto sem utilizar componentes eletrônicos caros.
Pensando na diversidade de uso, o copo foi desenhado para ser ambidestro, facilitando a rotina de quem cozinha com intensidade. Além disso, a base do liquidificador foi projetada para ser mais alta, funcionando como um "display embutido". Isso resolveu uma dor do marketing: o produto já ganhava destaque natural na gôndola do varejo sem a necessidade de suportes extras de PDV.
O resultado foi um sucesso comercial imediato. A tiragem foi vendida rapidamente e o design chamou tanta atenção que a fabricante chinesa demonstrou interesse em adquirir o projeto para o mercado asiático. Mostramos que, com o método certo e os pés no chão da indústria, é possível transformar uma commodity em um objeto de desejo e eficiência.