Do Commodity ao Mobiliário Pet de Alto Valor

Tocantins Embalagens
2023
Descrição no Tom de Voz da Primata: Ajudamos a Tocantins Embalagens a romper a barreira das embalagens de margem apertada para criar uma linha de mobiliário pet arquitetônico. Partimos de quase mil ideias, passamos por uma pivotagem corajosa após ouvirmos usuários reais e chegamos a uma entrega técnica robusta com dezenas de itens. Saímos do papelão vendido por tonelada para o design que resolve o bem-estar animal e a estética da casa, provando que a inovação nasce de escutar quem não fala, mas sente: o gatinho no centro de tudo.
Case study of strategic innovation for Tocantins Papéis. Transition from commodity cardboard to high-value pet furniture through user research, prototyping, and technical development of 36 SKUs (Stock Keeping Units).

Nosso desafio com a Tocantins Papéis começou com uma provocação clara: como expandir o negócio para além do papelão ondulado vendido como commodity? O mercado de embalagens tradicionais exige operações extremamente enxutas e tem baixa tolerância a erros. Para encontrar novos caminhos, iniciamos um pré-laboratório de imersão e inspiração, analisando como empresas como a Stanley e a Print transformaram produtos básicos em objetos de alto valor e desejo.

Nessa fase inicial, geramos um volume impressionante de 948 ideias. Para organizar esse oceano de possibilidades, utilizamos a Bet Primata, uma ferramenta com nome questionável, mas que é ótima para priorização, onde o time aposta fichas nas hipóteses mais factíveis e poderosas. O tema vencedor foi a intersecção entre papelão e o mercado pet, um terreno fértil para explorar as propriedades mecânicas e sensoriais do material.

No primeiro laboratório de produto, aplicamos o Remix de Ideias, uma ferramenta nossa que equilibra atributos funcionais (tecnologia e formato) com atributos emocionais (memorabilidade e experiência). Desenhamos o "Eco Adot", um kit de adoção focado em ONGs. No entanto, o "papo reto" do mercado veio rápido: durante a sessão de validação por pesquisas qualitativas, tutores e protetores rejeitaram o conceito original. Mas o ouro estava nos detalhes: eles revelaram que, se aquela caixa de transporte fosse uma casinha definitiva e esteticamente agradável para gatos, o interesse seria imediato.

Essa pivotagem — uma mudança estratégica de rumo baseada em evidências — pautou o segundo laboratório. Focamos em mobiliário arquitetônico exclusivo para felinos. Aqui, o design serviu ao "usuário sem voz": construímos protótipos físicos em tamanho real para testar com gatos de verdade. Validamos se eles entravam nas tocas, se a inclinação dos arranhadores fazia sentido e como o papelão resistia ao uso. Aprendemos que, para o tutor, se o gato destrói o papelão, é sinal de que o produto funcionou e cumpriu seu papel instintivo.

Na reta final, refinamos o posicionamento de marca e o perfil semântico da linha. Não queríamos competir com produtos de madeira, mas sim elevar o padrão do que se espera de um objeto de papelão. Saímos de uma exploração massiva de 203 conceitos para o desenvolvimento técnico de 36 itens selecionados, incluindo a "Oca" e abrigos modulares. A entrega final contemplou especificações técnicas de facas, grafismos e texturas prontos para fabricação, garantindo que a Tocantins Papéis entrasse no mercado pet com um portfólio maduro, autoral e validado pela prática.